quarta-feira, 2 de março de 2016

O DIÁRIO DE MÁRCIA - 2011

    

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O documentário “O Diário de Márcia” conta a história de Márcia Gadelha, transexual paraibana, 46 anos, pedagoga e cerimonialista da Câmara Municipal de João Pessoa. A partir do ponto de vista da própria protagonista, documenta sua história utilizando uma narrativa em tom intimista nos moldes de um diário, em primeira pessoa, onde Márcia “faz anotações” de momentos importantes de sua existência: a infância, a adolescência e a fase adulta. Não são apenas registros dessas fases da sua vida. Ela tece comentários, elocubrações sobre sua existência, tentando entender a rejeição familiar (avós, pais e irmãos) à sua conduta “inadequada” para um “macho” e a violência (física e psicológica) a ela infligida, principalmente pela família. Ela será a primeira transexual a ser submetida na Paraíba a esse procedimento pelo Sistema único de Saúde (SUS).

A protagonista relata sobre o medo que vivenciou na infância e adolescência, com os constantes achincalhes da vizinhança e dos colegas de escola. Medo que levava o então garoto Marquinhos a fugir do convívio social; a enrijecer a postura do corpo e a se fechar no seu mundo.

Quando adolescente, a família o leva a um psiquiatra que, acreditando na transitoriedade de sua condição, lhe recomenda esportes “masculinos” como natação e judô como terapia para a cura do seu “desvio”. A família investe pesado na esperança da mudança prometida pelo psiquiatra. Nesses esportes, o garoto conhece o assédio sexual dos colegas e do professor. O “tratamento” recomendado pelo especialista em nada o faz mudar.

Na fase adulta, busca conforto para seus conflitos existenciais no espiritismo kardecista. No grupo espírita, microcosmo da sociedade lá fora, sua aceitação é dividida entre os que lhe aceitam e os que o discriminam. Decepcionado, busca, e encontra, na umbanda e, depois, no candomblé, o apoio que precisa. E se torna praticante dessa religião, sem deixar de lado totalmente o espiritismo. Agora, ela se considera “espírita candomblecista cristã”.

Profissionalmente, Márcia está integrada ao quadro de funcionários da Câmara Municipal, aparentemente, sem conflitos relevantes. Da mesma forma, foi contratada, como reabilitadora, pelo Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (Funad). Na época, à medida que se tornava mais efeminado nas atitudes e no figurino, menos oportunidades lhe eram apresentadas. Apesar disso, a personagem se mostra orgulhosa das conquistas alcançadas profissionalmente.





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