Há 28 anos, no segundo domingo de outubro, a bicentenária procissão do Círio de Nazaré – maior romaria católica do Brasil e uma das maiores do mundo – é obrigada a conviver com a Festa da Chiquita, o mais tradicional encontro gay da Amazônia que, contra tudo e contra todos, ocorre no mesmo dia, na mesma hora e na mesma rua. São dois milhões de católicos fervorosos de um lado e alguns milhares de homossexuais do outro. Em 2004, o IPHAN incluiu a Festa da Chiquita no processo de tombamento do Círio como patrimônio imaterial da humanidade, dando início a uma grande polêmica: afinal, a festa da Chiquita faz parte do Círio?
Realizado de forma totalmente independente entre 2002 e 2005, As Filhas de Chiquita apresenta de forma objetiva – são apenas 50 minutos de projeção – um acontecimento tão insólito quanto naturalmente brasileiro. Em Belém, capital do Pará, durante a segunda semana de outubro, acontece o Círio de Nazaré, uma bicentenária procissão católica reconhecida como a maior do Brasil e uma das mais expressivas de todo o mundo. Esse trajeto, que geralmente é realizado no segundo domingo do mês, passa por uma das principais praças da cidade – lugar que, no mesmo dia e horário, vira palco da Festa da Chiquita, um conglomerado gay em espaço público que desperta, a cada ano com mais força, a atenção dos moradores e turistas de toda a cidade e além. O foco deste filme é mostrar como é possível 2 milhões de religiosos fervorosos conviverem lado a lado com 400 mil homossexuais, todos em busca de algum tipo específico de purificação e alívio. Essa mistura gerou uma forte polêmica quando o IPHAN incluiu, em 2004, a Festa da Chiquita no processo de tombamento do Círio como patrimônio imaterial da humanidade. Afinal, ambos são eventos distintos ou partes de um todo muito maior?