Jorgelina tem dez anos e testemunha a rápida mudança de sua família. Seus pais brigam com frequencia, e sua irmã mais velha, Luciana, passou a fechar a porta do banheiro e não quer mais brincar com ela. Nem mesmo na “boyita”, o pequeno trailer que sempre as abrigou. Para aliviar as tensões, seus pais decidem passar o verão separados. Luciana vai com a mãe para a praia, e Jorgelina segue com o pai para a fazenda da família. Lá reencontra Mario, filho de um agricultor local com quem sempre explorava a região. Mas agora Mario está esquivo e ocupado demais para lhe dar atenção.
Título: El Último Verano de la BoyitA
Ano produção: 2009
Dirigido por: Julia Solomonoff
Estreia: 5 de Novembro de 2009
Duração: 93 minutos
Gênero: Drama
Países de Origem: Argentina
ALERTA DE SPOILER
Jorgelina, uma garota em processo intenso de transformação e aprendizagem. Em uma empreitada em busca da noção de sexualidade e da distinção entre o que é masculino e o que é feminino, ela se junta a Mario. Os dois apresentam, inicialmente, uma simples relação de patrão e empregado. Mario é filho dos caseiros de uma estância que é propriedade de um médico, pai de Jorgelina. Aos poucos eles acabam se unindo em torno de uma mesma dúvida: o que nos determina como homens ou mulheres?
Não queria seguir adiante no desenrolar do filme, mas me sinto provocado a tal. Ainda que eu esteja revelando uma informação que poderia ser considerada crucial para o roteiro, a enxergo mais como um ponto a mais da beleza narrativa que Boyita tem a nos mostrar: Mario não é o que parece. Não é um menino. É uma menina com uma quantidade exagerada de hormônios a ponto de lhe provocar uma anomalia no clitóris, tornando-o maior do que o comum. O bastante para que seus pais, sem nenhuma assistência médica, assumam ela como ele. Este segredo começa a se desmantelar no momento em que Jorgelina reconhece em Mario o mesmo processo de transformação que havia percebido em sua irmã mais velha, a menstruação. Todas essas questões são trabalhadas de uma forma perfeitamente sensível. Tanto a curiosidade despertada entre as duas crianças, como a fúria do pai de Mario ao saber que seu filho mais novo é na realidade um anormal, são muito bem desenvolvidas por Julia Solomonoff, uma diretora ainda inexperiente, mas com um extenso currículo.


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