Colette (Keira Knightley) é uma romancista francesa que sofre com o seu casamento abusivo. Para superá-lo, ela emerge como uma grande escritora no seu país e, consequentemente, como uma candidata para o Prêmio Nobel em Literatura.
O longa é inspirado na história da autora Sidonie-Gabrielle Colette, ou simplesmente Colette, uma jovem francesa que vive no interior da França com seus pais, Sido e Jules. Porém, a vida da jovem escritora muda após ela conhecer Willy, um famoso escritor por quem se apaixona. Depois do casamento, o casal vai morar em Paris, que se destaca por ser uma cidade artística e intelectual.
Com o novo estilo de vida que levam na capital francesa, que exige gastos exorbitantes, não demora para que Willy comece a ter dificuldades financeiras. Então, para manter o alto padrão de estilo de vida que levavam, ele sugere que Colette vire escritora-fantasma – ela escreveria um livro, enquanto ele assinaria como autor. Apesar de se sentir insegura em relação ao assunto, Colette resolve aceitar a ideia e utiliza suas vivências e experiências da vida no campo como inspiração. É dessa forma que acaba surgindo o romance Claudine, publicado em 1900, se tornando um verdadeiro sucesso.
Sendo um verdadeiro best-seller, é sugerido que uma continuação da história seja publicada. Acompanhando o sucesso, diversos produtos como cigarros, balas e roupas começam a levar o nome do livro, o que aumenta ainda mais os lucros do casal. Assim, Claudine se torna uma marca famosa, enquanto Willy é considerado um gênio.
Com os problemas financeiros do casal no fim, a relação deles começa a se desgastar. Colette se envolve com Georgie, uma jovem recém-casada, e logo descobre que Willy também está se encontrando com ela, que começa a se envolver com Missy. Para a época, Missy podia ser considerada uma mulher peculiar: ela se veste como um homem, e seu corte de cabelo curto também segue o padrão masculino. Logo, Colette se vê interessada e fascinada por Missy, seguindo um relacionamento meramente sexual, sem nenhum tipo de compromisso. Contudo, não se pode negar a amizade que acaba nascendo entre as duas e Missy é a grande responsável em abrir os olhos de Colette para o mundo à sua volta, assim como para a angústia existente em seu casamento. A moça sabe que não foi Willy que escreveu Claudine e consegue enxergar a manipulação emocional que ele faz com Colette.
Título: Colette
Ano produção: 2018
Dirigido por: Wash Westmoreland
Estreia: 13 de Dezembro de 2018
Duração: 111 minutos
Classificação 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Biografia, Drama, História
Países de Origem: Estados Unidos da América, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
BIOGRAFIA SIDONIE-GABRIELLE COLETTE
Escandalosa. Revolucionária. Determinada. Estas são apenas algumas das palavras usadas para descrever a sensação francesa Sidonie-Gabrielle Colette. Seu caráter único e um tipo único de força que a fez uma das autoras mais excepcionais e controversas a surgir na Europa no início do século XX. Apesar de sua reputação devassa, ela era uma líder dos movimentos feministas e de liberdade, um farol de luz em um tempo terrivelmente conservador.
Os primeiros anos de Colette estão envoltos em mistério. O que se sabe é que ela nasceu em janeiro de 1873, seu pai era um capitão aposentado, a mãe uma fina amante das artes. Graças a seus pais, Colette foi introduzida em uma idade adiantada, tanto para o mundo rico de arte belga quanto na clandestina arena da política.
Sua história realmente começa na tenra idade de 20, quando se casou com Henri Gauthier-Villars, um bissexual conhecido tanto por sua sagacidade, quanto por suas conexões com o submundo parisiense, onde ele era conhecido simplesmente como "Willy". Seu novo marido era 15 anos mais velho que ela, mas viu imediatamente que sua jovem esposa não era fácil, e por isso ele procurou algo para nutrir imediatamente sua inteligência e seu intelecto.
Ele a encorajou a escrever, dando-lhe a oportunidade de publicar seu trabalho com o seu nome; uma rara oportunidade para uma mulher em 1900, como o sexo mais justo foi proibido de publicar literatura de qualquer tipo. Seu primeiro grande trabalho foi uma coleção conhecida como Os romances de Claudine, um trabalho que algumas fontes dizem que foi escrito sob intensa pressão. Willy não era um mentor gentil: a lenda diz que ele trancava sua esposa em seu quarto por horas até que ela fosse capaz de produzir um trabalho de alta qualidade pelo qual mais tarde ela se tornaria famosa.
O Trabalho de Colette estava transbordando de energia sexual, muito do qual foi tirado diretamente de sua própria história de vida. Sua bissexualidade era um tema quente nos livros de Claudine, que abriu novos caminhos literários. Claudine na Escola foi o primeiro romance da literatura moderna a lidar com o romance lésbico: A protagonista de 15 anos de idade desenvolve uma paixão incontrolável por sua própria assistente feminina. Colette, apesar de seus inúmeros casamentos e amantes do sexo masculino, sempre teve um fraquinho por meninas, especialmente as beldades de Paris.
Paris foi boa para Colette, quem primeiro entrou em cena em 1900 com suas várias performances no palco parisiense. Através de seu trabalho ela manteve relações estreitas com as personalidades mais conhecidas da alta sociedade, tendo amigos e amantes da maiores esferas de poder. Isso permitiu a ela lidar com certos assuntos, como a infame Mathilde de Belobeuf, mais conhecida como "Missy" para seus entes queridos e "Monsieur Belboeuf" no submundo lésbico de Paris. A história, no entanto, conhece Mathilde por um título bem diferente: a sobrinha do imperador Napoleão III.
Seu gosto por meninas não foi a única coisa que causou escândalo. Ela teve outra controvérsia em 1906, quando uma fotografia foi tirada durante uma performance teatral, durante a qual expôs um de seus seios. O mau funcionamento do guarda-roupas chocou pessoas em todo o mundo, começando uma controvérsia internacional e apresentando um desafio novo e totalmente inesperado para os papéis tradicionais de gênero da sociedade francesa. Este pequeno deslize até abriu o caminho para o movimento de libertação das mulheres.
A verdadeira fonte de controvérsia, no entanto, sempre foi o trabalho de Colette. Apesar dos trabalhos luxuriosos, da recepção escandalosa e sensibilidades feridas de leitores tensos, seus romances tornaram-se um sucesso comercial arrebatador, levando a uma franquia de produção relacionada aos seus livros: a escrita de Colette gerou tudo, desde um palco musical a uma marca de perfume, de temas pra uniforme "Claudine” a temas para sabão. As pessoas até vendiam cigarros com o título da chocante porém ainda aclamada saga.Nem mesmo a idade poderia retardar Colette. Aos 72 anos, depois de três casamentos e uma vida de escândalos, ela publicou seu romance mais aclamado de sempre: Gigi. Este trabalho florido também gerou uma franquia, mais tarde sendo adaptado como uma peça musical estrelada por Audrey Hepburn, e para a telona em 1948, e novamente em 1958 como um musical estrelado por Leslie Caron.
Colette morreu em 1954. Sua perda foi sentida por toda a Europa como uma das escritoras mais importantes e influentes de todos os tempos. Mais uma vez e mesmo depois de sua morte, ela revolucionou o mundo quando lhe deram um funeral de Estado francês, uma honra rara para uma mulher na época.






É com grande prazer que volto a comentar um filme neste blog maravilhoso.
ResponderExcluirEstava um pouquinho sumida, mas é que não havia previsto que trabalhar em home office seria extremamente desgastante, cansativo e ocuparia muito do meu tempo. Fazer o quê? Quando penso que vou retornar à rotina do escritório, a pandemia volta a nos assombrar com mais intensidade.
Graças a Deus consegui alguns dias de férias. Então decidi pegar esses dias para ver filmes, e opinar sobre esse em questão, em virtude de ser um filme de época, me decidi por Colette, visto que eu já o tinha visto e gostado bastante. Tinha me prometido que assim que tivesse um tempo, o assistiria novamente.
O dia foi hoje, pois hoje eu estou leve, eu estou transbordante de alegria.
A metade do meu ser se encheu de júbilo ao assistir o retorno da democracia tomar o seu lugar de direito; no país onde eu nasci. A outra metade de mim ainda aguarda por essa alegria novamente.
Ver uma mulher extraordinária como a cantora Lady Gaga, interpretando o hino nacional dos Estados Unidos, é algo de fazer o nosso espírito se encher de esperança e não duvidar que dias melhores virão.
Bom, quanto a interpretação dessa atriz fantástica chamada Keira Knightley, é algo que enche nossos olhos. Adoro filmes biográficos, e se forem de época; melhor ainda.
Colette, mulher inteligente, vanguardista, nascida para brilhar. E nem uma paixão por um homem inescrupuloso, fez deter o gênio intrínseco dessa mulher destemida e além do seu tempo.
É uma pena que ela demorou um pouco para enxergar a verdade, sobre o homem que dizia amá-la, mas como diz a vulgata popular: "Antes tarde do que nunca".
Que bom que tem pessoas que se munem de histórias de vida como essa, e as transformam em um roteiro riquíssimo e um filme que nos faz bem a alma.
Colette nos reporta ao dia de hoje, quando vemos uma mulher negra, filha de pais estrangeiros, pobre, por seu esforço, estuda e se gradua em uma faculdade destinada à pessoas negras, e hoje o mundo reverenciou ser ela a primeira mulher negra a ocupar o segundo cargo mais importante de uma nação. Quem sabe em futuro muito próximo, possamos estar assistindo a um belo filme ou documentário sobre uma mulher chamada Kamala Harris.
Podemos sonhar com essa possibilidade.
Um beijo a todos, é muito gostoso comentar.
Desde sempre, Grata.
Dylan.