sexta-feira, 12 de junho de 2020

LGBT+60: Corpos que Resistem (Temporada 2)

    

A segunda temporada da série LGBT+60: Corpos que Resistem traz três casais da terceira idade, que abriram seu coração para as câmeras, na semana do Dia dos Namorados, de 2019.

Dudu e Flávio, Ana e Tereza, Ângela e Willman: três casais da terceira idade que superaram o preconceito e, hoje, celebram o amor em depoimentos emocionantes. Estas são as histórias da segunda temporada da série LGBT+60: corpos que resistem, que mostra a trajetória de idosos que enfrentaram a intolerância, abrindo caminhos para as novas gerações. Na primeira temporada, contamos as histórias de Martinha, João Nery, João Silvério, Anyky e Yone, que guardam em seus corpos as marcas de uma longa trajetória de resistência política e social.

   

ÂNGELA E WILLMAN | LGBT+60: Corpos que Resistem #EP1

É na pequena Luiziânia, cidade do interior de São Paulo com pouco mais de cinco mil habitantes, que Ângela Fontes e Willman Defacio vivem juntas. A relação das aposentadas começou há 23 anos, durante as trocas de plantões do hospital onde trabalhavam, na capital paulista. De lá para cá, muitas histórias e viagens compartilhadas, reveladas em alguns álbuns de fotografia pela casa. E um desejo mútuo prestes a se concretizar: o casamento.

    

ANA E TEREZA | LGBT+60: Corpos que Resistem #EP2

Ana Beatriz, 64 anos, e Tereza, 62, são, respectivamente, mulheres trans e cis. Casadas há 40 anos, mães de 3 filhos e avós de 4 netos são exemplos de como o amor pode superar o preconceito. 

Ana Beatriz e Tereza Cebalos fazem os cálculos, quando questionadas sobre a duração do casamento. “Quase 40”, responde uma delas após algum tempo. Nesse longo período, as duas tiveram três filhos, quatro netos e, atualmente, moram com seis cachorros em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo. Quando se conheceram – numa piscina de um clube – Ana ainda era um “homem magro e alto, parecido com um ganso”, brinca Tereza. Aparência que, com o passar dos anos e da união, foi recebendo alguns retoques: hormônios, maquiagens, brincos, e por aí vai.

Foi escrevendo cartas que Ana, agora com 64 anos, tomou coragem para contar para a esposa que era uma mulher trans. O começo foi confuso, para ambas. “Eu não consegui entender, porque realmente era um mundo novo pra mim. Mas a Ana começou a me educar sobre o assunto e, assim, eu fui aceitando”, revela a companheira, de 62.

Hoje, a própria Tereza é quem ajuda a escolher as roupas da amada e a defende de qualquer violência transfóbica nas ruas. “Foi um peso enorme tirado das minhas costas. Nós não somos apenas um casal diferente. Eu vejo nela a minha confidente. Uma namorada eterna”, divide Ana.

   

DUDU E FLÁVIO | LGBT+60: Corpos que Resistem #EP3

Dois anos após serem vítimas de violência homofóbica, Eduardo Michels e Flávio Miceli, ambos com 62 anos, contam como o amor entre os dois se fortaleceu após o trauma. “A gente vai viver a nossa vida eternamente junto, porque nós fazemos parte um do outro”, declara-se Flávio. 

Os olhares de Eduardo Michels e Flávio Miceli atentos à TV, revelam a importância da data em que, coincidentemente, a entrevista foi agendada. É o segundo dia do julgamento da criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal. Juntos há 22 anos, o casal, que transborda bom humor por onde passa, tem em sua história uma triste memória relacionada à violência. Em 2017, foram espancados por vizinhos da vila onde moravam, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Um ataque que, embora tenha deixado marcas, vem sendo superado graças à união e o amor dos dois.

“A gente vai viver a nossa vida eternamente junto, porque nós fazemos parte um do outro”, declara-se Flávio. Eles se conheceram praticamente aos 40 anos, em uma festa eletrônica. “Pensei: ‘Chega de bater pista’”, brinca Dudu. Desde então, não se desgrudaram mais. As luzes e o som quase ensurdecedor das boates transformaram-se em tranquilos passeios ao shopping e idas ao cinema.




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