Enviado Por Nossa Querida Irmã Zira
Veniamin, cujas falas quase sempre são versículos bíblicos, põe em polvorosa sua mãe, a escola e a igreja por seu comportamento fundamentalista.
(M)Uchenik é a obra mais anticlerical vista em anos e é sustentada basicamente
pela guerra verbal entre os dois personagens, que vivem a citar a bíblia o
tempo todo, para o bem e para o mal. A cada lei draconiana do livro sagrado
cristão, o realizador põe na tela o capítulo e o versículo, para acentuar o
horror das escrituras.
O que o filme ganha em política, no entanto, perde em densidade. Os
personagens não têm qualquer profundidade além do lado que representam, são
apenas lados num debate. No caso do adolescente, a sua velocidade e sua
impressionante memória a respeito das escrituras desafia todas as convenções de
lógica. A sua impostação faz parecer que o guionista americano Aaron Sorkin, de
A Rede Social e Steve Jobs, é quem escreveu a própria bíblia.
Serebrennikov, realizador com origem no teatro russo, adaptou uma peça que
ele mesmo encenou no palco com todos os tiques de realismo vistos no cinema
romeno, mas só resta a carcaça dos originais, e não o miolo. O filme está preso
no palco, por mais que disfarce.
Mais interessante é a frontal aproximação do realizador com a
homossexualidade, algo impensável nessa era Putin. Serebrennikov é claro e
gráfico, e pode ter comprado uma briga imensa com o regime russo, o que talvez
só se amenize pelo tom trágico que se abate sobre os personagens gays dessa sua
história.
Título: (M)uchenik
Ano produção: 2016
Dirigido por: Kirill Serebrennikov
Estreia: 2016
Duração: 118 minutos
Gênero: Drama
Países de Origem: Rússia


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