segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Single Men (Direito de Amar)

A Single Men (Direito de Amar)




É difícil encontrar razão para viver quando se perde o ser amado. Parece impossível olhar o mundo ao redor e identificar suas cores, reconhecer a beleza e sorrir de volta. Tudo fica cinza, e cada objeto tocado pelo amante que se foi ativa uma memória ainda cheia de vida, mas dolorosa.

A Single Man [2009] (Direito de Amar, na versão em português) conta essa história. Maravilhosamente interpretado por Colin Firth, o filme acompanha o dia do professor de inglês George Falconer.


Disposto a se despedir da vida após a morte de seu companheiro, com quem viveu por mais de 16 anos, Falconer é atormentado por pesadelos mórbidos. Mas, talvez pela presença e urgência do fim, o professor é surpreendido por lembranças imortalizadas nos cantos da casa, em eventos rotineiros, em flertes descompromissados. Falconer acaba vivendo encontros de ‘luminosidade’ ao longo do dia.

O filme considera que os homossexuais são uma minoria invisível, não em números, mas por conseguir passar despercebida pela sociedade. Consegue camuflar-se e esgueirar por todas as instâncias sociais sem ser facilmente reconhecida e apontada. Esse comportamento aparentemente livre causa um medo mais profundo na maioria dominante, que se sente frequentemente espreitada, incapaz de levantar o dedo e acusar o desconhecido de algo que somente ele pode dar como fato. A ameaça de uma minoria invisível é a impossibilidade de torná-la concreta e, portanto, criar meios para destruí-la.

O mais admirável em A single man é unir, não forçosamente, mas com uma simplicidade inebriante, todas as informações possíveis para transmitir o sentimento de Falconer. Esse sentimento não é só dele, é universal. E Ford consegue não deixar de lado o contexto histórico, social e cultural, mas diminuí-los frente à sentimentalidade de seus personagens.

Poucos filmes tratam os relacionamentos homossexuais sem estereotipá-los ou ao menos da mesma forma que os heterossexuais. Assistir A single man faz perceber como não há diferença entre um e outro. Assim como em qualquer conto de fadas, ou drama romântico ao estilo Romeu e Julieta, perder o grande amor faz os dias ficarem cinza para qualquer um. É uma característica humana. Como defendido no longa, enquanto estamos fadados a viver fechados em nossos próprios corpos, a única coisa que vale a pena são os momentos de real conexão com outro ser humano. Onde há vida e cor.

* Não sei por que
não está fazendo sol
Tempo de tempestade
desde que meu homem e eu
não estamos juntos
Continua chovendo o tempo todo.




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