sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Borderliner (Grenseland) 2017

    

Bordeliner é uma série Norueguesa, que acabou de sair no catalogo da Netflix, uma ótima adição para os fãs do gênero policial com um toque de suspense.

A série segue o Detetive da policia Nikolai Andreassen, que ao suspeitar que um suicídio é na verdade um assassinato, mobiliza toda a policia da região, no entanto, ao descobrir quem matou a vitima ele tenta acobertar o caso, ficando na linha tênue entre o certo e o errado, um jogo perigoso onde a cada episódio mais mentiras são reveladas.

A série tem uma atmosfera pesada e tensa, mas também bastante elegante. O que envolve aqui não é, exatamente, a investigação em si, mas um olhar mais ao íntimo pessoal, até onde uma pessoa é capaz de chegar para proteger aqueles que ama? O que faz uma pessoa trair sua própria honra/moral? Essas são perguntas que fluem junto com o seriado. Não estão ali descaradamente, mas caminham e se desenvolvem lentamente conforme os episódios vão passando.



A série de oito episódios foi originalmente exibida na Noruega em 2017, sob o título não traduzido de ‘Grenseland’, no canal TV2 do país.

Ano: 2017
Título original: Grenseland
Direção: Megan Gallagher
Elenco: Tobias Santelman, Ellen Dorrit Petersen, Benjamin Helstad, Ole Christoffer Ertvâg, Vegar Hoel, Stig Henrik Hoff, Iram Haq
Gênero: Policial/Suspense.
País: Noruega
Duração: 45 minutos
Episódios: 8 episódios


    

Comentário sobre a série - com spoiler

A história começa com a investigação da morte de uma informante e o acusado é o conhecido detetive, Sven Lindberg (Stig Henrik Hoff). A acusação vem de outro policial, Nikolai Andraessen (Tobias Santelmann), um oficial aparentemente honesto e bom moço. A data do julgamento se aproxima e Nikolai é afastado para evitar atritos com os colegas, afinal muitos não gostaram nada de ver um dos agentes mais antigos ser “delatado”.

Nikolai resolve ir visitar a família que mora na sua pequena cidade natal, na Noruega. Mal chega à cidade e Niko se envolve em outra investigação de um suposto suicídio. Com o desenrolar da trama, descobrimos que o suicídio foi forjado e que há muita coisa escondida neste caso.
Para acompanhar o caso, chega à cidade a investigadora Anniken (Ellen Dorrit Petersen). A moça é linha dura e percebe que existe algo muito errado neste caso e que seus colegas policiais não são honestos como aparentam.

A investigação é o ponto de partida para abordar algumas questões como honestidade, corrupção policial e a percepção de bem e mal. E, claro, a série traz dois personagens gays, Nikolai e Kristoffer (Morten Svartveit), e é uma das poucas produções em que o gay é o personagem protagonista da história.

Geralmente, personagens LGBTTQs só são protagonistas de séries e filmes em que o objetivo é mostrar o “mundo” dos LGBTTQs. Séries de ficção, suspense, policial ou de aventura dificilmente possuem como personagem principal uma lésbica, uma pessoa trans ou um gay. O protagonismo é relevante, sim, mas a abordagem e a construção do personagem são ainda mais importantes, e Borderliner faz isso de uma forma muito interessante.

Nikolai é um homem gay que mantém sua sexualidade enrustida. Poderia ser apenas mais uma representação de um homossexual dentro do armário, mas o seriado vai um pouco mais além. Niko faz parte de uma família onde todos os homens são policiais, uma profissão geralmente associada à força, virilidade e, óbvio, a heterossexualidade. Apesar de muitos policiais (assim como integrantes do Exército e das Forças Armadas) serem bissexuais, gays ou lésbicas, a esmagadora maioria necessita esconder sua orientação sexual para não sofrer repreensão, bullying, assédio e violência. 

Acompanhamos estas tentativas de Nikolai em manter sua orientação sexual e seu relacionamento com Kristoffer em segredo, mesmo com a pressão familiar que muitos já conhecem, questionando “quando ele vai arrumar uma namorada?” ou “quando ele pretende ter filhos?”. Apesar da orientação sexual de Nikolai ser uma parte importante na construção de sua identidade e em algumas de suas decisões durante a história, ela não é a única característica dele. E isso é ótimo. Nosso protagonista não é mais ou menos honesto devido sua condição sexual. Assim como o fato dele ser gay não o torna um personagem ao qual iremos nos identificar em todos os momentos. Ele possui defeitos e qualidades, assim como qualquer outra pessoa, cometendo erros e buscando proteger aqueles que ama, e, em muitos momentos, até esquecemos que ele é gay. E a representatividade, ao meu ver, deve ser exatamente desta forma: onde a orientação sexual não é a linha narrativa ou a única face de um personagem.

A série é norueguesa e possui várias paisagens do país. Mas nada de neve. Muitas florestas e árvores, que me lembraram bastante a alemã Dark. A fotografia é um dos pontos altos de Borderliner, com tomadas aéreas que fazem brotar aquela vontade de conhecer a Noruega. 

O elenco, apesar de desconhecido, é ótimo. Santelmann deixa um pouco a desejar em alguns momentos, não transmitindo uma interpretação muito convincente, mas nada que atrapalhe no resultado final. Uma grata surpresa é Ellen Dorrit Petersen. A loira (protagonista do excelente Blind) convence qualquer um como a investigadora séria e solitária, numa cidade dominada por policiais homens. 

Borderliner possui uma trama séria e muitas vezes sombria (o que muitos podem considerar arrastada), como qualquer série investigativa/policial. Por isso se você não gosta de produções no estilo Marcella, Collateral e Mindhunter é melhor passar longe desta aqui. O seriado foi criado pela atriz e roteirista Megan Gallagher e foi ao ar lá no Reino da Noruega em 2017, com o título de Grenseland (Fronteira, em norueguês). Borderliner, que possui 8 episódios, está no catálogo da Netflix Brasil desde 06 de março de 2018. A primeira temporada não possui um final fechado, mas até o momento não houve nenhum pronunciamento oficial sobre a renovação da série para um segundo ano.


2 comentários:

  1. Parabens pelo site e pela postagem!!!

    EP 05 tá com som ruim , ah já tem a versão dublada

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  2. Adorei a série. O que estraga é o final abrupto, sugerindo uma segunda temporada. Tomara que não demore a sair.

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